Crescer em um ambiente tóxico sem se perder de si mesma
Existem ambientes que não vão te incentivar. Não vão reconhecer seu esforço, celebrar suas mudanças ou enxergar a pessoa que você está tentando se tornar.
E, às vezes, você vai precisar crescer justamente onde ninguém espera que você cresça.
Mas se desenvolver em um ambiente tóxico não significa aprender a suportar a toxicidade.
Significa aprender a não depender da aprovação de quem não consegue enxergar você.
Aprender a não se perder dentro de um ambiente tóxico
Aprender a colocar limites sem precisar se explicar o tempo todo.
Aprender a observar antes de reagir.
Aprender a não transformar a crueldade dos outros em uma definição sobre quem você é.
Porque talvez uma das maiores formas de amadurecimento seja perceber que você não pode escolher todos os ambientes em que estará, mas pode escolher quem se tornará dentro deles.
Nem todo ambiente tóxico começa sendo evidente
E existe algo ainda mais importante:
Nem todo ambiente tóxico começa sendo evidente.
Às vezes, ele começa silenciosamente.
Uma palavra que parece pequena.
Uma crítica que você começa a ouvir com frequência.
Uma situação que você aprende a evitar.
Um comportamento que, aos poucos, faz você duvidar de si mesma.
E, quando percebe, passaram-se dias, meses ou até anos.
Você já não sabe exatamente quando começou, mas sente que está presa.
Quando você sente que está presa em uma teia
Como se estivesse dentro de uma teia.
Quanto mais tenta se movimentar, mais difícil parece encontrar uma saída.
E, nesse processo, alguma coisa dentro de você também começa a desaparecer.
A sua confiança em si mesma diminui.
Aquela pessoa divertida, espontânea, cheia de vida, que não pensava tanto antes de sorrir, falar, criar ou simplesmente ser… parece não existir mais.
Talvez aquela pessoa ainda esteja aí
E então você começa a procurar por ela.
Tenta inúmeras vezes se reconhecer novamente.
Olha para dentro de si, procurando aquela pessoa incrível de quem sente saudades.
Mas talvez exista uma coisa que você ainda não tenha percebido:
Ela não desapareceu.
Ela apenas passou tanto tempo tentando sobreviver àquele ambiente que você deixou de conseguir enxergá-la.
Sair também pode ser doloroso
Por isso, sair também pode ser doloroso.
Porque não é simplesmente deixar um lugar.
É deixar uma parte da vida à qual você se acostumou, mesmo que ela tenha te machucado.
E, quando finalmente consegue sair, talvez você não se sinta imediatamente livre.
Talvez se sinta perdida.
Sem saber quem é agora.
Sem saber como agir.
Sem saber como confiar novamente em si mesma.
Cada pessoa tem o seu próprio tempo
Mas dê tempo ao tempo.
É fácil falar isso na teoria, mas, na prática, cada pessoa vive esse processo de uma maneira diferente.
O tempo necessário para se reconstruir não pode ser medido pelo relógio de outra pessoa.
Cada um tem sua própria percepção do tempo, suas próprias feridas e seu próprio ritmo para voltar a se encontrar.
E tudo bem se o seu tempo for diferente do de outra pessoa.
Porque, aos poucos, aquilo que parecia perdido começa a ressurgir.
Como a Fênix
Na mitologia, a Fênix é uma ave que, depois de ser consumida pelo fogo, renasce das próprias cinzas.
Ela representa a superação de grandes dificuldades, o recomeço e a capacidade de encontrar força mesmo depois de atravessar aquilo que parecia ser o fim.
A Fênix não volta a ser a mesma
E existe algo ainda mais simbólico nessa imagem:
A Fênix não volta a ser exatamente a mesma ave que era antes.
Ela renasce.
Sua força não está em nunca ter sido destruída pelo fogo, mas em conseguir transformar aquilo que poderia representar o seu fim em um novo começo.
Você também pode renascer
Talvez seja assim também com você.
Você pode carregar marcas, lembranças e até dores que ainda não desapareceram e, mesmo assim, encontrar força para voar novamente.
Que entende que não precisa mais se diminuir, se colocar dentro de uma caixa sufocante, para conseguir permanecer naquele lugar.
E talvez ser melhor não seja se tornar mais forte, mais fria ou mais resistente.
Talvez ser melhor seja finalmente aprender a se escolher.
Escolher a si mesma
Com amor.
Com respeito.
Sem culpa.
Porque sair daquele ambiente é uma conquista.
Mas tirar aquele ambiente de dentro de você é uma reconstrução.


