Se a dor não é sua, não fale que é frescura

 

Nem sempre aquilo que parece pequeno para você é pequeno para quem está vivendo

Você está vendo apenas um pedaço da história

Às vezes, você olha para alguém e pensa que ela está exagerando. Que poderia ser mais forte. Que aquilo não é motivo suficiente para sofrer tanto.

Mas você está vendo apenas um pedaço da história.

Não sabe o que aconteceu antes daquele momento.

Não conhece tudo o que aquela pessoa precisou enfrentar para chegar até ali.

E é justamente aí que cometemos um dos erros mais comuns: julgamos o que vemos sem conhecer o que não vemos.

Você não conhece tudo o que provocou aquela reação

Você pode enxergar uma reação, mas não conhece tudo o que a provocou.

Pode enxergar uma lágrima, mas não sabe quantas coisas foram acumuladas antes dela.

Pode achar que alguém está desistindo por pouco, quando talvez aquilo tenha sido apenas a última coisa de uma longa sequência de dores.

Nem toda dor é visível

Porque nem toda dor é visível.

Nem todo sofrimento deixa marcas no corpo.

Algumas dores aparecem disfarçadas de irritação, silêncio, afastamento, cansaço ou até de um sorriso que parece normal para quem está olhando de fora.

Existem batalhas que ninguém consegue perceber

Existem pessoas que continuam cumprindo suas obrigações enquanto enfrentam uma batalha que ninguém ao redor consegue perceber.

E talvez seja justamente por conseguirem continuar que seu sofrimento seja tantas vezes ignorado.

Antes de dizer que é exagero, pare por um instante

Por isso, antes de dizer que alguém está fazendo drama, exagerando ou sentindo “frescura”, pare por um instante.

Você está olhando para a dor de fora.

Você não viveu aquela história.

Não carregou aquelas perdas.

Não enfrentou aqueles medos.

Não sentiu exatamente o que aquela pessoa sentiu quando tudo aconteceu.

Você pode estar julgando apenas um instante

Talvez você esteja julgando apenas um instante de uma história que levou anos para chegar até ali.

A dor de cada pessoa não pode ser medida pela sua experiência

Se eu suportaria, acredito que você também deveria suportar.

Se eu não sofreria por isso, então você também não deveria sofrer.

Se para mim foi fácil superar, por que para você não seria?

Mas a vida não funciona assim.

Duas pessoas podem viver a mesma situação de maneiras diferentes

Duas pessoas podem passar pela mesma situação e sair dela carregando pesos completamente diferentes.

Porque cada uma possui uma história, uma sensibilidade, experiências, perdas e limites que não podem ser comparados como se fossem iguais.

O que foi apenas uma dificuldade para você pode tocar justamente na ferida mais profunda de outra pessoa.

Respeitar a dor não significa concordar com tudo

E respeitar a dor de alguém não significa concordar com tudo.

Também não significa dizer que toda reação é correta ou que ninguém pode ser questionado.

Significa reconhecer que existe uma realidade que você talvez não conheça.

Você não precisa entender para respeitar

Você não precisa entender completamente a dor de alguém para tratá-la com respeito.

Não precisa ter vivido aquilo para acreditar que está doendo.

Não precisa ter uma solução para oferecer.

Às vezes, a melhor coisa que você pode fazer é simplesmente não aumentar o peso que aquela pessoa já está carregando.

Palavras também podem aumentar o peso de alguém

Porque palavras também podem ferir.

E quando alguém já está lutando para suportar o que sente, ouvir que tudo aquilo é “frescura” pode fazer com que ela se sinta ainda mais sozinha.

Você não conhece toda a história

Então, antes de diminuir a dor de alguém, lembre-se:

Você conhece apenas o que essa pessoa decidiu — ou conseguiu — mostrar.

Não conhece toda a história por trás daquele sofrimento.

Se a dor não é sua, não fale que é frescura

Porque você nunca sabe o quanto alguém precisou suportar para continuar de pé.

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