Insegurança

Insegurança: quando o conhecimento começa a paralisar

Existe uma forma de insegurança que parece, à primeira vista, contraditória: você sabe muito, estuda, pesquisa, pensa em estratégias, mas não consegue colocar nada em prática.

É aquela pessoa que quer fazer tudo exatamente como imaginou.

Cada passo precisa ser estratégico. Cada detalhe precisa estar certo. Ela quer ter certeza de que sabe o suficiente antes de começar.

E, no fim, acontece uma coisa curiosa: ela tem conhecimento, mas não tem execução.

E sem execução, não existe resultado.

Agora pense em outra pessoa.

Ela talvez não saiba tanto. Começa tropeçando, comete erros, percebe que algumas coisas poderiam ter sido melhores, mas continua fazendo.

Ela está disposta a aprender no caminho.

E existe uma diferença enorme entre essas duas situações.

Quem não executa pode até ter muito conhecimento, mas permanece apenas no campo das possibilidades.

Quem executa, mesmo cometendo erros, cria pelo menos a possibilidade de alguma coisa acontecer.

Porque os primeiros resultados raramente aparecem exatamente como imaginamos.

Faz parte começar sem saber tudo.

O problema é que hoje existe uma quantidade enorme de informação disponível.

A internet mostra estratégias, pessoas muito experientes, negócios que deram certo, conteúdos extremamente produzidos e pessoas que parecem saber exatamente o que estão fazendo.

E você começa a pensar:

“Eu não posso errar.”

“Meu conteúdo precisa estar perfeito.”

“Eu ainda não sei o suficiente.”

“Preciso aprender mais antes de começar.”

E aquilo que deveria ajudar começa a paralisar.

Quanto mais você aprende, mais percebe tudo aquilo que ainda não sabe.

E então entra a comparação.

Você olha para alguém que está muito à sua frente e começa a usar aquela pessoa como medida para avaliar o seu próprio conhecimento.

Você pensa:

“Quem sou eu para falar sobre isso?”

Só que existe uma coisa que você esquece nesse processo: você já construiu alguma coisa para chegar até onde chegou.

Talvez você esteja sentado à mesa com pessoas que admira e, justamente por isso, comece a se sentir pequeno.

Mas você esquece que, para chegar naquela mesa, também precisou subir alguns degraus.

Ninguém começa no alto.

Existe uma escada.

E cada pessoa está em um degrau diferente.

Quando você passa muito tempo olhando para quem está acima, pode perder a sensibilidade para perceber o quanto você mesmo já avançou.

Aquilo que hoje parece simples para você talvez seja exatamente aquilo que outra pessoa ainda precisa aprender.

E isso fica muito claro quando pensamos em criação de conteúdo.

Hoje existem inúmeros vídeos ensinando praticamente tudo.

Tem pessoas ensinando a fazer um bolo de chocolate fofinho, reformar uma casa gastando pouco, avaliar um carro para descobrir se vale a pena comprar, cuidar de plantas, organizar a rotina e tantos outros assuntos.

À primeira vista, alguns desses conteúdos parecem simples demais.

Mas simples para quem?

Existe alguém procurando exatamente aquela informação.

Talvez aquilo que você considera básico seja justamente o conhecimento que outra pessoa precisava naquele momento.

E eu mesma descobri isso na prática.

Eu gosto muito mais de escrever do que de gravar vídeos.

Mas não descobri isso apenas pensando.

Eu gravei vários formatos diferentes.

Testei ideias.

Apaguei vídeos.

Recomecei inúmeras vezes.

E foi justamente executando que percebi que escrever era o formato que fazia mais sentido para mim.

Se eu tivesse esperado descobrir o formato perfeito antes de começar, talvez nunca tivesse criado nada.

A resposta apareceu durante a execução.

E isso não aconteceu apenas com conteúdo.

Durante onze anos trabalhei na área da estética.

Foi uma profissão que fez parte de uma grande fase da minha vida.

Em determinado momento decidi fazer uma pausa nessa trajetória e comecei a desenvolver uma linha de perfume capilar.

Quando as pessoas veem o produto pronto, talvez imaginem que ele simplesmente nasceu daquela forma.

Mas não.

Antes de chegar ao resultado final, existiram muitas formulações que deram errado.

Foram muitos testes, ajustes, mudanças de proporção, tentativas que não ficaram como eu esperava.

O produto final só existe porque eu me permiti errar durante o processo.

Se eu tivesse esperado acertar na primeira tentativa, ele provavelmente nunca teria existido.

E essa é uma das coisas mais importantes que aprendi: muitas vezes, aquilo que você procura não está escondido em mais uma teoria.

Está escondido na próxima tentativa.

Isso também vale para qualquer projeto.

Você pode estudar muito sobre empreendedorismo, conteúdo, marketing ou qualquer outra área e continuar inseguro porque ainda não começou.

Enquanto outra pessoa, talvez com menos conhecimento, começa, erra, ajusta e descobre na prática aquilo que funciona.

Isso não significa que estudar não seja importante.

Teoria é excelente.

Conhecimento é valioso.

O problema é quando o conhecimento deixa de ser uma ferramenta para a execução e passa a ser uma justificativa para adiá-la.

E existe outra coisa importante.

Você não precisa saber mais do que todo mundo para compartilhar aquilo que já aprendeu.

Quando estou em uma roda de conversa e alguém sabe mais do que eu sobre determinado assunto, eu escuto.

Absorvo aquele conhecimento.

Gosto de ouvir opiniões diferentes e aprender com pessoas que possuem mais experiência.

Mas não preciso transformar o conhecimento delas em uma prova de que eu não tenho valor.

Posso aprender algo novo sem desmerecer aquilo que já construí.

Foi exatamente essa mudança de mentalidade que comecei a aplicar na minha vida.

Sou uma pessoa criativa, tenho muitas ideias e percebi que precisava parar de apenas admirar quem fazia coisas interessantes e começar a executar as minhas próprias ideias.

Foi por isso que criei o blog.

Para compartilhar aquilo que aprendi e também aquilo que continuo aprendendo todos os dias.

Talvez o meu conhecimento pareça simples para algumas pessoas.

E tudo bem.

Porque existe alguém que ainda precisa exatamente dessa simplicidade.

Da mesma forma que existem conteúdos avançados para quem já está em outro estágio.

Cada pessoa está em um degrau diferente da escada.

O conhecimento é infinito.

Você nunca chegará ao momento em que saberá tudo sobre todos os assuntos.

Então não transforme essa impossibilidade em autocobrança.

Reconheça o que você já sabe.

Continue aprendendo.

E, principalmente, exercite aquilo que você já aprendeu.

Porque a confiança também nasce da prática.

Quanto mais você executa, mais consegue equilibrar a sensação de insuficiência com a percepção real do seu próprio progresso.

Nunca se desvalorize apenas porque alguém está alguns degraus acima de você.

Olhe para frente para continuar crescendo.

Mas também olhe para trás de vez em quando para perceber o quanto já caminhou.

Você não precisa dominar tudo para começar.

Precisa começar com aquilo que já sabe.Aprender.

Praticar.

Errar.

Corrigir.

E subir mais um degrau.

Porque ninguém começa no alto.

Existe uma escada.

E é a execução que transforma conhecimento em experiência.

 

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