Se sentindo incapaz?

 

Se sentindo incapaz: quando a sensação começa a parecer um fato

Você já quis muito fazer alguma coisa, mas, antes mesmo de tentar, pensou:

“Eu não vou conseguir.”

Pode ser começar um projeto, mudar de emprego, voltar a fazer exercícios, aprender alguma coisa nova ou simplesmente conseguir manter uma rotina.

Às vezes, nem chegamos a tentar.

O pensamento aparece primeiro. E, quando ele aparece muitas vezes, alguma coisa começa a acontecer: aquilo que era apenas um pensamento começa a parecer uma verdade.

Mas será que se sentir incapaz significa realmente ser incapaz?

Quando começamos a acreditar no que pensamos

Ao longo da vida, passamos por muitas situações.

Algumas são boas. Outras machucam.

Podemos ser elogiados, incentivados e perceber que conseguimos fazer coisas que pareciam difíceis. Mas também podemos passar por rejeições, críticas, fracassos, comparações, bullying ou situações em que nos fizeram sentir que não éramos bons o bastante.

E tudo isso deixa marcas.

Não significa que uma única experiência ruim vai determinar quem você será. Mas, quando algumas experiências se repetem, podemos começar a tirar conclusões sobre nós mesmos.

“Eu não sou bom nisso.”

“As pessoas não vão gostar de mim.”

“Eu sempre estrago tudo.”

“Não adianta tentar.”

Com o tempo, essas conclusões podem se transformar em convicções.

E o mais curioso é que nem sempre percebemos que elas estão ali.

Você não acorda necessariamente pensando:

“Hoje vou interpretar tudo a partir da convicção de que sou incapaz.”

Não funciona assim.

É muito mais sutil.

Você recebe uma oportunidade e pensa que provavelmente não vai dar conta.

Alguém faz uma crítica e você imediatamente pensa que realmente não é bom o suficiente.

Você começa alguma coisa, encontra uma dificuldade e pensa:

“Está vendo? Eu sabia que não conseguiria.”

E talvez seja justamente aí que o problema começa.

O pensamento parece um fato

Quando pensamos “eu não vou conseguir”, é fácil tratar esse pensamento como se ele fosse uma previsão.

Mas não é.

É um pensamento.

Isso parece simples, mas faz muita diferença.

Pensar que você não vai conseguir não significa que você realmente não conseguirá. Significa apenas que, naquele momento, essa é a conclusão à qual sua mente chegou.

E a nossa mente não tira conclusões do nada.

Ela usa aquilo que já conhecemos.

Se você passou muito tempo ouvindo críticas, sendo comparado ou vivendo situações em que se sentiu incapaz, é compreensível que algumas situações do presente despertem essa mesma sensação.

É como se o passado dissesse:

“Cuidado. Você já passou por isso antes.”

Só que existe uma diferença entre reconhecer uma situação e acreditar que ela necessariamente terminará da mesma maneira.

E então o comportamento entra nessa história

Imagine uma pessoa que acredita que não é capaz.

Ela recebe uma oportunidade.

Pensa que não vai conseguir.

Fica ansiosa.

Começa a evitar.

Adia.

Talvez nem tente.

Depois, olha para aquela situação e pensa:

“Eu sabia que não conseguiria.”

Mas existe um detalhe importante nessa história.

Ela não descobriu que era incapaz.

Ela descobriu apenas que não tentou daquela vez.

E isso pode acontecer de várias formas.

Você pode deixar de enviar um currículo porque acha que não será escolhido.

Pode desistir de um curso porque acredita que não vai acompanhar.

Pode parar de fazer exercícios porque pensa que nunca terá disciplina.

Pode evitar conversar com alguém porque imagina que não será ouvido.

Pode abandonar um projeto na primeira dificuldade porque interpreta a dificuldade como uma prova de que aquilo não é para você.

Aos poucos, um ciclo pode se formar:

o que aconteceu → o que você pensou → o que sentiu → como reagiu → o que aconteceu depois.

E o que acontece depois pode acabar fortalecendo aquilo que você já acreditava.

Por isso, às vezes, parece que a vida está constantemente provando que você não consegue.

Mas será que está mesmo?

Talvez você esteja olhando para a própria história por um único ângulo

Imagine alguém que tentou cinco coisas e não conseguiu manter nenhuma delas.

Essa pessoa pode olhar para essas experiências e concluir:

“Eu nunca consigo terminar nada.”

Mas talvez exista outra maneira de olhar para a mesma história.

Talvez ela tenha conseguido manter algumas coisas por um período.

Talvez tenha desistido porque estava passando por uma fase difícil.

Talvez tenha escolhido objetivos que não faziam sentido para ela.

Talvez tenha esperado de si mesma uma mudança muito rápida.

Talvez simplesmente ainda não tivesse encontrado uma maneira que funcionasse para sua realidade.

Isso não significa transformar fracassos em sucessos ou fingir que tudo deu certo.

Significa apenas olhar para a história inteira antes de chegar a uma conclusão sobre quem você é.

Porque existe uma diferença enorme entre dizer:

“Eu não consegui fazer isso.”

e dizer:

“Eu sou incapaz.”

A primeira frase fala sobre uma situação.

A segunda fala sobre quem você acredita ser.

Comece observando o seu próprio dia

Uma maneira simples de começar a perceber esses padrões é fazer pequenas anotações sobre o seu dia.

Não precisa escrever páginas.

Escolha uma situação que mexeu com você e tente registrar:

O que aconteceu?

O que eu pensei na hora?

O que eu senti?

O que eu fiz depois?

O que aconteceu como resultado?

Com o tempo, você pode começar a perceber coisas que normalmente passam despercebidas.

Talvez descubra que sempre pensa que vai fracassar quando precisa começar algo novo.

Talvez perceba que qualquer crítica faz você questionar tudo o que fez.

Talvez note que desiste justamente quando começa a sentir dificuldade.

Ou talvez descubra que é muito mais duro consigo mesmo do que seria com outra pessoa.

Essas observações não precisam servir para você encontrar uma resposta definitiva.

Elas podem simplesmente servir como um norte para se conhecer melhor.

Porque autoconhecimento não é descobrir de uma vez por todas quem você é.

É começar a perceber aquilo que acontece dentro de você.

Os pensamentos que aparecem.

As situações que despertam determinadas emoções.

As escolhas que você faz quando está com medo.

E, principalmente, as conclusões que você tira sobre si mesmo.

Se sentir incapaz não é a mesma coisa que ser incapaz

Talvez você tenha passado por situações que fizeram você duvidar de si mesmo.

Talvez algumas dessas dúvidas tenham surgido a partir de experiências reais.

Talvez você realmente tenha falhado em algumas coisas.

Todos nós falhamos.

Mas uma falha não precisa se transformar em uma definição sobre quem você é.

Você pode não saber fazer alguma coisa hoje e aprender amanhã.

Pode ter desistido antes e tentar novamente de outra maneira.

Pode ter errado em uma situação e agir de maneira diferente em outra.

E talvez uma das perguntas mais importantes que você possa fazer quando aquele pensamento aparecer seja:

“Eu realmente não sou capaz ou estou apenas com medo de não conseguir?”

A resposta pode não aparecer imediatamente.

Mas começar a fazer essa pergunta já muda alguma coisa.

Porque, às vezes, aquilo que parece uma certeza sobre nós mesmos é apenas uma conclusão que repetimos tantas vezes que esquecemos de questioná-la.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *